Antes de solicitar propostas a uma empresa de SST, o RH deve levantar a situação atual da organização, identificar unidades, trabalhadores, atividades, riscos, documentos, exames, treinamentos e demandas do eSocial. Também precisa definir o escopo esperado, as áreas que participarão da contratação e as responsabilidades que permanecerão com a contratante.
Este é o primeiro artigo de uma série criada pela Medivo para ajudar o RH a preparar, avaliar e comparar a contratação de fornecedores de Saúde e Segurança do Trabalho.
Por que contratar uma empresa de SST exige critérios técnicos?
Em muitas empresas, o setor de Recursos Humanos participa diretamente da contratação de serviços de Saúde e Segurança do Trabalho. No entanto, nem sempre o profissional responsável pela escolha recebeu formação suficiente para avaliar metodologias, documentos técnicos, riscos ocupacionais, eventos do eSocial e responsabilidades legais.
Isso não representa falta de competência ou comprometimento. O RH normalmente foi preparado para administrar admissões, benefícios, folha de pagamento, clima organizacional e relações de trabalho. A avaliação técnica de uma empresa de SST exige conhecimentos diferentes e, muitas vezes, a participação de outras áreas.
Quando não existem critérios previamente definidos, propostas muito diferentes podem parecer equivalentes. Preço, rapidez, proximidade, apresentação comercial e qualidade do atendimento passam a ocupar o centro da decisão, mesmo quando não demonstram a capacidade real de execução do fornecedor.
Uma empresa pode apresentar uma comunicação moderna e um discurso convincente sobre cuidado, produtividade e transformação, mas ainda assim não conseguir explicar com clareza:
- qual metodologia será utilizada;
- como será realizado o diagnóstico inicial;
- quais indicadores serão acompanhados;
- quem assumirá cada responsabilidade;
- quais prazos deverão ser cumpridos;
- quais evidências serão entregues;
- como erros e pendências serão corrigidos.
Por isso, uma proposta comercial bem apresentada não deve ser confundida com prova de capacidade técnica.
Palavras não controlam riscos. Método, responsabilidade e execução controlam.Uma contratação segura começa quando a empresa reconhece que SST não é uma compra comum. A decisão envolve saúde, operação, legislação, informações do eSocial, possíveis passivos e continuidade do negócio.
A Medivo já apresentou uma análise sobre como o RH pode
selecionar fornecedores de SST com mais confiança, considerando experiência, estrutura, qualificação técnica, tecnologia e compromisso com a execução.
Quem deve participar da contratação de uma empresa de SST?
O RH não precisa dominar sozinho medicina ocupacional, segurança do trabalho, ergonomia, legislação, previdenciário e eSocial. No entanto, precisa reconhecer quando a decisão exige apoio de outras áreas.
A contratação de uma empresa de SST não deveria ser tratada apenas como uma compra administrativa. Dependendo do porte, da atividade e da complexidade da operação, o processo pode exigir a participação de:
- Recursos Humanos;
- Departamento Pessoal;
- direção;
- jurídico;
- financeiro;
- responsáveis técnicos;
- profissionais de Segurança do Trabalho;
- Medicina do Trabalho;
- liderança operacional;
- responsáveis pelas unidades ou filiais.
Cada área contribui com uma perspectiva diferente.
O RH conhece as rotinas de pessoas, admissões, afastamentos e atendimento aos colaboradores. O Departamento Pessoal acompanha prazos e informações trabalhistas. A operação conhece os riscos reais das atividades. O jurídico avalia responsabilidades e exposição a passivos. O financeiro analisa custos, condições e impactos contratuais. Já os responsáveis técnicos verificam se a metodologia e as entregas são compatíveis com as exigências da empresa.
Essa participação conjunta é importante porque a contratação pode afetar:
- a responsabilidade do empregador;
- o cumprimento das obrigações legais;
- a qualidade das informações enviadas ao eSocial;
- o controle de exames e documentos;
- a prevenção de acidentes e afastamentos;
- os passivos trabalhistas e previdenciários;
- a continuidade da operação;
- o atendimento de filiais e unidades;
- a resposta a fiscalizações;
- a reputação da empresa.
Quando a escolha fica concentrada em uma única pessoa, sem critérios técnicos e sem validação das áreas envolvidas, aumenta o risco de uma proposta comercialmente atraente ser confundida com uma solução adequada.
A melhor decisão não é necessariamente a mais rápida nem a mais convincente. É a que foi avaliada pelas pessoas certas, com critérios claros e responsabilidades definidas.
O que a empresa deve definir antes de solicitar propostas de SST?
Antes de solicitar propostas, a empresa precisa compreender sua situação atual e definir com clareza o que espera da prestadora de SST.
Quando cada fornecedor recebe informações diferentes ou interpreta livremente as necessidades do cliente, as propostas deixam de ser comparáveis. Uma empresa pode incluir somente documentos e exames, enquanto outra considera visitas técnicas, acompanhamento de planos de ação, reuniões, suporte ao eSocial e gestão de vencimentos.
Os valores podem ser diferentes porque os serviços também são diferentes.
Para criar uma base comum de comparação, o RH deve levantar informações como:
- quantidade de empregados;
- unidades, filiais e cidades atendidas;
- atividades econômicas e características da operação;
- cargos e funções existentes;
- riscos ocupacionais já identificados;
- volume médio de admissões, demissões e exames periódicos;
- documentos existentes e respectivas datas de validade;
- situação atual do PGR, PCMSO, LTCAT e demais laudos;
- treinamentos necessários;
- estrutura interna de Segurança e Medicina do Trabalho;
- responsáveis pelo envio e conferência dos eventos do eSocial;
- demandas de ergonomia e riscos psicossociais;
- histórico de acidentes, afastamentos e fiscalizações;
- necessidade de atendimento em outras localidades;
- sistemas utilizados pelo RH e Departamento Pessoal;
- principais problemas enfrentados com o fornecedor atual.
Além do diagnóstico, a empresa deve definir quais entregas espera receber.
O escopo pode incluir:
- elaboração e atualização de documentos;
- visitas técnicas;
- exames ocupacionais;
- treinamentos;
- gestão do eSocial SST;
- controle de vencimentos;
- acompanhamento de pendências;
- reuniões periódicas;
- relatórios gerenciais;
- indicadores;
- planos de ação;
- suporte em fiscalizações;
- atendimento a filiais;
- prazos para correções e respostas.
Também é necessário esclarecer o que continuará sob responsabilidade da empresa contratante e o que será assumido pelo fornecedor.
Por exemplo:
- quem enviará as informações ao eSocial;
- quem validará os dados antes do envio;
- quem comunicará admissões e alterações de função;
- quem controlará os vencimentos;
- quem cobrará a execução dos planos de ação;
- quem corrigirá inconsistências;
- quem responderá em situações urgentes;
- quem manterá os documentos e evidências organizados.
Um escopo bem definido evita expectativas incompatíveis, reduz cobranças inesperadas e permite que todas as propostas sejam avaliadas sobre a mesma base.
Antes de comparar preços, a empresa precisa garantir que está comparando responsabilidades, entregas e níveis de acompanhamento equivalentes.
Quais informações devem ser enviadas aos fornecedores?
Depois de organizar o diagnóstico interno e definir as entregas esperadas, a empresa deve preparar uma base única de informações para enviar aos fornecedores.
Todos os participantes da concorrência precisam receber o mesmo conjunto de dados. Caso contrário, cada empresa poderá interpretar as necessidades de forma diferente e apresentar propostas que não serão realmente comparáveis.
O documento enviado aos fornecedores pode reunir:
- número de trabalhadores;
- unidades e localidades;
- atividades e funções existentes;
- principais riscos ocupacionais;
- documentos que precisam ser elaborados ou atualizados;
- volume estimado de exames;
- treinamentos necessários;
- demandas relacionadas ao eSocial SST;
- necessidade de visitas presenciais;
- periodicidade esperada para reuniões e relatórios;
- responsabilidades que permanecerão com a contratante;
- prazos relevantes para a operação.
A empresa também deve informar quais pontos espera que cada proposta esclareça, como serviços incluídos, limites do escopo, custos adicionais, responsáveis e condições de atendimento.
Quanto mais clara for a base enviada, menor será o risco de comparar propostas que utilizam os mesmos nomes, mas oferecem entregas diferentes.
Conclusão: propostas comparáveis começam com um escopo claro
A contratação de uma empresa de SST começa antes do primeiro contato comercial.
Para receber propostas compatíveis com sua realidade, a empresa precisa conhecer sua situação atual, envolver as áreas necessárias, definir as entregas esperadas e separar claramente as responsabilidades da contratante e do futuro fornecedor.
Sem essa preparação, propostas diferentes podem parecer equivalentes, e valores distintos podem ser comparados sem que o RH perceba diferenças importantes de escopo, acompanhamento e capacidade de execução.
Um processo mais seguro começa com informações organizadas e uma base comum para todos os fornecedores.
Depois dessa etapa, o próximo passo é analisar se cada empresa de SST possui metodologia, equipe, estrutura e capacidade técnica para cumprir o que está oferecendo.
Continue na Parte 2: Empresa de SST: 10 critérios técnicos para avaliar o fornecedor.
Perguntas frequentes antes de solicitar propostas de SST
O que a empresa deve levantar antes de contratar uma empresa de SST?
A empresa deve levantar o número de trabalhadores, unidades, atividades, funções, riscos, documentos existentes, volume de exames, treinamentos, demandas do eSocial e principais problemas da gestão atual. Essas informações ajudam a definir um escopo compatível com a operação.
Quem deve participar da preparação da contratação?
A participação pode envolver Recursos Humanos, Departamento Pessoal, direção, jurídico, financeiro, operação e responsáveis por Medicina e Segurança do Trabalho. As áreas necessárias variam conforme o porte e a complexidade da empresa.
Por que todos os fornecedores devem receber as mesmas informações?
Porque propostas elaboradas a partir de informações diferentes não podem ser comparadas de maneira segura. Uma base comum permite verificar diferenças reais de escopo, responsabilidades, acompanhamento e preço.
O que deve ficar sob responsabilidade da contratante?
Isso depende do modelo contratado. A empresa precisa definir, por exemplo, quem fornecerá dados, comunicará admissões e mudanças de função, validará informações, acompanhará planos de ação e controlará pendências internas.
É correto solicitar preço antes de definir o escopo?
A empresa pode solicitar estimativas iniciais, mas a comparação só será confiável depois que necessidades, entregas, responsabilidades e volumes estiverem definidos. Sem isso, o menor valor pode corresponder a um serviço muito diferente.
Precisa organizar o escopo da contratação de SST?
A definição do escopo deve considerar as características da operação, os trabalhadores, os riscos ocupacionais, os documentos existentes e as responsabilidades que permanecerão com a empresa.
A Medivo atua com Medicina do Trabalho, Segurança do Trabalho, ergonomia e gestão do eSocial SST, apoiando empresas na análise de suas necessidades e na definição de soluções compatíveis com sua realidade.
Entre em contato com a Medivo para conversar sobre a estrutura de SST necessária para sua empresa.