Para a vigência de 2026, os dados oficiais revelam que a grande maioria das empresas brasileiras está colhendo os frutos da prevenção. Segundo estatísticas do Ministério da Previdência Social, a distribuição das empresas por faixa de FAP apresenta o seguinte cenário [1]:
| Faixa de Classificação | Percentual de Empresas | Impacto na Alíquota RAT |
| Bônus (FAP < 1) | 91, 97% | Redução de até 50% |
| Neutro (FAP = 1) | 3, 89% | Mantém alíquota original |
| Malus (FAP > 1) | 4, 14% | Aumento de até 100% |
Estar na faixa
Malus (acima de 1, 0) não é apenas um custo extra; é um sinal de alerta para falhas críticas na gestão de riscos que podem comprometer a sustentabilidade do negócio a longo prazo.
Pilares para a redução efetiva do FAP
Reduzir o FAP exige uma abordagem integrada entre as áreas de RH, Contabilidade, Jurídico e Segurança do Trabalho. Os pilares abaixo são essenciais para alcançar o multiplicador ideal (entre 0, 5 e 1, 0).
1. Gestão de SST via eSocial
Atualmente, a redução do FAP começa pelo envio correto dos eventos de SST ao eSocial. As informações contidas nos eventos
S-2210 (CAT), S-2220 (Monitoramento da Saúde) e
S-2240 (Condições Ambientais) são as fontes primárias que alimentam o banco de dados da Previdência Social.
Atenção aos Detalhes:
Inconsistências entre o que é enviado ao eSocial e o que consta nos registros do INSS podem gerar um FAP elevado indevidamente.
LTCAT e PGR:
Manter o Laudo Técnico das Condições Ambientais do Trabalho (LTCAT) e o Programa de Gerenciamento de Riscos (PGR) atualizados é fundamental para embasar qualquer contestação e garantir que os riscos estejam mapeados e controlados.
2. Monitoramento das taxas de frequência, gravidade e custo
O Conselho Nacional da Previdência Social (CNPS) utiliza três índices principais para calcular o FAP de cada empresa. Compreender esses cálculos permite que o profissional de SST atue de forma cirúrgica:
Taxa de Frequência (TF):
Mede o número de acidentes e doenças ocupacionais. A meta é manter a TF abaixo de 20 para ser classificada como "Muito Boa".
Taxa de Gravidade (TG):
Avalia o impacto dos acidentes (dias de afastamento). Acidentes que resultam em aposentadoria por invalidez ou óbito têm peso máximo. Uma TG até 500 é considerada excelente.
Taxa de Custo:
Reflete o montante de gastos gerados para a Previdência Social.
3. Inspeções de SST e medidas preventivas
Inspeções minuciosas e constantes são imprescindíveis. A implementação de medidas preventivas eficazes não apenas reduz os índices estatísticos, mas evita o sofrimento humano e a perda de talentos.
Cultura de Segurança:
Introduzir a segurança como um valor organizacional, e não apenas como uma norma a ser seguida, é o passo mais importante para a redução sustentável do FAP.
Investigação de Incidentes:
Mesmo incidentes que não geram afastamento (menores de 15 dias) devem ser investigados, pois são preditores de acidentes mais graves no futuro.
Prazos de contestação e ferramentas úteis
O FAP com vigência para 2026 foi disponibilizado para consulta em setembro de 2025. O prazo para contestação eletrônica ocorreu entre
1º e 30 de novembro de 2025 via portal FAPWeb [2]. Caso sua empresa tenha perdido este prazo, é vital iniciar agora o planejamento para o ciclo de 2027, monitorando os dados de 2024 e 2025.
Ferramentas de Simulação
Para auxiliar no planejamento, existem plataformas gratuitas que permitem simular o cálculo do FAP e identificar os pontos de melhoria:
Plataforma SESI/CBIC:
A Câmara Brasileira da Indústria da Construção, em parceria com o SESI, oferece ferramentas que auxiliam na gestão de custos e na simulação do impacto da SST no FAP [3].
Conclusão: O FAP como indicador de desempenho
Reduzir o FAP não deve ser visto apenas como uma tarefa burocrática, mas como um
Indicador-Chave de Desempenho (KPI) estratégico. Empresas que alcançam o bônus de 50% demonstram excelência operacional, cuidado com o capital humano e eficiência tributária. Integrar tecnologia, como softwares especializados em SST, e manter a conformidade rigorosa com o eSocial são os caminhos mais curtos para transformar a segurança do trabalho em um diferencial competitivo em 2026.
Referências[1] OnSafety. FAP 2026: Estratégia e Impacto na Contribuição Previdenciária. Publicado em 15 de outubro de 2025. [2] Portal Gov. br. Fator Acidentário de Prevenção (FAP) com vigência para 2026. Publicado em 24 de setembro de 2025. [3] Portal da Indústria. Plataforma online ajuda empresas a calcular Fator Acidentário de Prevenção.