Introdução: Um sinal de alerta ignorado?
Nos últimos anos, a saúde mental no ambiente de trabalho emergiu de uma discussão marginal para uma pauta central e urgente. O atestado psiquiátrico, antes visto com desconfiança e, por vezes, como um tabu, agora se impõe como um indicador crítico da saúde organizacional. Em 2025, o Brasil registrou um recorde alarmante de 546. 254 afastamentos por transtornos mentais e comportamentais, um aumento significativo que custou R$ 17, 4 bilhões ao INSS [1] [2] [3] [4]. Este cenário não é apenas uma estatística; é um grito de socorro que as empresas não podem mais ignorar.
O Atestado Psiquiátrico: Uma decisão clínica, não uma negociação
A Dra. Erica Maia Alvarez, MD, MBA, em uma publicação impactante no LinkedIn, ressalta um ponto fundamental:
"Atestado psiquiátrico não é negociação. É decisão clínica. " [5]. Esta afirmação desmistifica a percepção comum de que o afastamento por questões de saúde mental é subjetivo ou passível de barganha. Pelo contrário, ele é o resultado de uma avaliação médica individualizada e rigorosa. Não existe um "tempo padrão" para o afastamento; o mesmo diagnóstico pode levar a prazos completamente diferentes, pois cada caso é único e exige um olhar atento às particularidades do paciente e do seu contexto [5].
Além da pergunta "Por que tanto tempo? ": Entendendo a raiz do problemaA pergunta que realmente importa não é "por que tanto tempo de afastamento? ", mas sim:
"o que podemos fazer para evitar que isso aconteça? " [5]. O foco deve se deslocar da duração do afastamento para as causas subjacentes que levam os colaboradores a adoecerem. A saúde mental não é um luxo, mas uma necessidade intrínseca ao bem-estar e à produtividade. Ignorar os sinais e a necessidade de prevenção é um erro estratégico que custa caro, tanto em termos humanos quanto financeiros.
O tabu e o preconceito: Barreiras para a recuperaçãoUm dos maiores desafios ainda é o tabu em torno da saúde mental. Como apontado em um dos comentários do post da Dra. Erica, "Ninguém questiona, comenta ou indaga sobre um afastamento por problemas na coluna! Mas rotulam e agem com preconceito quando falamos de saúde mental! Precisamos mudar esta realidade! " [5]. Esse preconceito não apenas dificulta a busca por ajuda, mas também prolonga o sofrimento e o tempo de recuperação, impactando negativamente o retorno ao trabalho.
Burnout institucional: Quando o trabalho adoeceO problema vai além do indivíduo. Muitos profissionais de saúde, por exemplo, enfrentam o que tem sido chamado de "Burnout Institucional", onde a sobrecarga é adotada como modelo de negócio [6]. Escalas exaustivas, equipes reduzidas e a pressão por produtividade em detrimento da segurança assistencial transformam o ambiente de trabalho em um fator de adoecimento. O custo físico, cognitivo e humano desse modelo é imenso, resultando em insatisfação, afastamentos, erros e um turnover insustentável [6].
Prevenção é estratégia, não custoDiante desse cenário, a prevenção deixa de ser um custo e se torna uma
estratégia essencial [5]. Empresas que investem em programas de bem-estar corporativo, apoio psicológico, liderança ética e condições de trabalho adequadas não estão apenas cumprindo uma responsabilidade social; estão construindo um ambiente mais resiliente, produtivo e humano. Cuidar de quem cuida é garantir um cuidado mais seguro, humano e de qualidade [7].
Conclusão: Um chamado à ação para RH e liderançasO aumento dos afastamentos por saúde mental é um espelho que reflete a urgência de uma mudança cultural e estrutural nas organizações. O atestado psiquiátrico é um documento sério, uma decisão clínica que exige respeito e compreensão. Para o blog da Mendigo, a mensagem é clara:
RH e lideranças precisam ir além da gestão de crises e adotar uma postura proativa em relação à saúde mental. Isso significa:
- Desmistificar o atestado psiquiátrico:Entender que é uma avaliação médica legítima.
- Investir em prevenção:Criar ambientes de trabalho saudáveis e oferecer suporte adequado.
- Combater o estigma:Promover uma cultura de abertura e acolhimento.
- Reavaliar modelos de trabalho:Identificar e mitigar fatores que levam ao burnout institucional.
Ao fazer isso, as empresas não apenas protegem seus colaboradores, mas também fortalecem sua própria sustentabilidade e sucesso a longo prazo.
Referências[1] G1. Brasil tem mais de 546 mil afastamentos por saúde mental em 2025 e bate recorde pela segunda vez em 10 anos. [2] Gov. br. Previdência Social concede 546. 254 benefícios por incapacidade temporária por transtornos mentais e comportamentais. [3] ANAMT. Levantamento da ANAMT revela crescimento de afastamentos por problemas de saúde mental entre 2023 e 2025. [4] UNIAD. Brasil bate recorde de afastamentos por saúde mental em 2025. [5] Alvarez, E. M. (2026, 10 de maio). Atestado Psiquiatria [Publicação no LinkedIn]. [6] SANTOS, R. A. S. (2026, 10 de maio). O Burnout Institucional na Saúde [Comentário no LinkedIn]. [7] ÁDANES, I. (2026, 10 de maio). BURNOUT NA UTI: QUEM CUIDA, TAMBÉM PRECISA SER CUIDADO [Comentário no LinkedIn]. Redator do Site Medivo Saúde Ocupacional
Fundada em 2006 como ErgoFisio e consolidada após uma trajetória de inovação, a Medivo Saúde Ocupacional é referência em Medicina, Segurança e Qualidade de Vida no Trabalho. Com sede no Noroeste do Paraná, a empresa evoluiu de uma consultoria em ergonomia para se tornar a líder de mercado em SST (Saúde e Segurança do Trabalho). Premiada anualmente por sua excelência em gestão, a Medivo une conhecimento técnico avançado, ética e inovação para garantir conformidade e bem-estar às empresas parceiras.